É sempre difícil falarmos de nós, contudo diria que sou uma pessoa perfeitamente normal… Se é que isso existe!
Porém, uma boa apresentação pessoal, sempre facilita e ajuda-nos a obter um conhecimento mais concreto e definido acerca do caracter de alguém.
Nome: ......... ........... Escobar
Um nome perfeitamente vulgar e comum, não fosse o facto de o sobrenome Escobar, pelo contrário, ser mais raro e usado por poucas famílias em Portugal. De conotação com a língua castelhana, a sua origem remonta ao Século VII, sendo então usada pela rainha de Aragão, D. Leonor Escobar.
Na época dos descobrimentos, um famoso navegador português, detinha o mesmo nome, Pedro de Escobar. Este, juntamente com João de Santarém, descobriram, em 1470, as ilhas de S. Tomé e Príncipe. Natural do Porto, Pedro de Escobar era principalmente um músico compositor da Renascença, tendo sido o primeiro na Península Ibérica, a compor um Requiem.
Já na era moderna, este nome aparece associado a uma figura chamada Pablo Escobar, chefe do maior cartel de droga colombiano, que felizmente, eu garanto, não tem nada a ver com a minha família!
Mas para mim, o que faz o nome único e especial, é marcar de uma forma indelével e íntima, o carácter, a personalidade e a vivência de quem o possui.
Data nascimento: 25 de Abril de 1956
É verdade, nasci no dia da Revolução dos cravos, dia em que também a Liberdade nasceu para Portugal e para os portugueses!
Embora actualmente já quase ninguém ligue muito a isso, os mais velhos já se esqueceram e os mais novos, por falta de termo de comparação, não sabem muito bem o que é viver sem liberdade. Nessa altura, era muito novo, ainda sem capacidade para compreender totalmente o significado de uma revolução e as suas consequências. Mas o dia 25 de Abril de 1974 foi um dia feliz para mim! Ouviam-se rumores nos autocarros e nas ruas acerca de um golpe de estado, eu não entendia muito bem o que isso era, porém sabia que algo de grande e fora do normal acontecera no nosso País! A excitação e um certo ar de secretismo, evidenciados nas conversas que surgiam aqui e ali acerca do assunto, assim o indicavam. Bom, mas o mais importante nesse dia, foi quando como de costume chegamos cedo à escola, recebemos com entusiasmo geral a boa nova de que não havia aulas para ninguém, foi “feriado” geral! Que mais podíamos nós, estudantes "aplicados", desejar para se começar bem o dia?
Naturalidade: Mirandela, região de Trás-os-Montes.
Nascido em singular aldeia perdida e esquecida no tempo, entre montes e vales misteriosamente agrestes e belos. Aqui vivi grande parte da minha primeira infância, repartida entre os deveres da educação na cidade e as sempre ansiosamente esperadas e deliciosamente longas, as minhas férias de verão na aldeia.
Rodeado de natureza selvagem e muito espaço livre para correr e brincar, os animais domésticos e não só, marcavam também, presença constante na minha vivência do campo. Guardo especial recordação dos cães do meu avô, treinados principalmente para guardar os rebanhos, dos inesperados e ferozes ataques dos lobos!
Lembro-me, em particular, de um desses cães, chamado “Zarolho”, em virtude de usar uma pala num dos olhos, ferido em brava luta com os ditos lobos. Era um cão enorme, de pêlo castanho, longo, macio e confortável. Usava à volta do pescoço uma coleira larga de metal, coberta por picos que serviam de defesa. A sua figura impunha respeito a qualquer um, mas o seu olhar doce e penetrante, a expressão bondosa do seu semblante, em contraste com a pose de guerreiro, fascinou-me e cativou-me de imediato. Ao entardecer, quando o pastor regressava da sua faina, recolhia as ovelhas, largava os cães e ia tratar da sua merecida merenda, talvez um naco de queijo com pão centeio e claro, acompanhada por um “copinho”, nada melhor para recompor e dar ânimo.
Era nessa altura que eu aproveitava para me aproximar dos valentes cães e timidamente, tentar as primeiras festas e início de brincadeira. O “Zarolho”, de carácter mais reservado, ar altivo e firme, como convém ao cão chefe, deixava que o afagasse suavemente e, enquanto permanecia deitado, de olhar e expressão suavemente distantes, aconchegava a minha cara no seu corpo e sentia que éramos amigos. Éramos mesmo, pois é com orgulho que digo, era o único que o “Zarolho” deixava montar! Lembro-me perfeitamente, agarrava-me firmemente à sua coleira com uma das mãos e ele, sem qualquer tipo de esforço, forte como era, carregava-me com complacência dum lado para o outro, como se fosse o meu cavalinho. E eu feliz, adorava, delirava de riso e contentamento, com estas animadas e inocentes brincadeiras entre cão e criança.
Mais tarde, demasiado tarde, quando um dia voltei à aldeia, vi que já não havia “Zarolho”…
Restam-me as saudades, a longínqua mas inesquecível memória do meu e para sempre carinhoso amigo.
Estado Civil: Casado e com uma filha de 16 anos.
Umas verdadeiras “pestes” as duas mulheres da minha existência! Fazem-me a vida negra, dão-me muito trabalho e preocupações, enfim, um autêntico inferno na terra! É claro que estou a brincar… um bocadinho. Elas são a principal razão da minha presença, é por elas que luto e trabalho todos os dias, elas são, finalmente e mais importante ainda, a minha família.
Lembro-me perfeitamente do dia em que a minha filha nasceu. Estávamos em pleno inverno, decorria o mês de Novembro. Nessa noite fria e tremendamente chuvosa, os relâmpagos rasgavam continuamente, com estrondo e fúria, o céu coberto de negro, iluminando-o por breves instantes e acentuando sobremodo todos os receios e a ansiedade, que então se apoderavam de mim. Encontrava-me só, no meu quarto, a casa recentemente adquirida, estava em total silêncio, quebrado de quando em vez, pelo barulho estridente dos comboios que passavam pela estação ali perto. Tentava a todo o custo desviar-me desses sentimentos nefastos e adquirir a calma e tranquilidade que me permitissem, pelo menos, dormir um pouco.
A minha esposa tinha recolhido à maternidade nessa noite, as incertezas quanto à hora e à forma como as coisas iam acontecer eram muitas. Já sabíamos que o bebé em gestação era uma menina, os exames efectuados indicavam que estava tudo bem, mas na hora vera, não há pai que aguente! É verdade que isto não se compara em nada, com a situação que, imagino, a mãe estaria a passar naquelas circunstâncias, a força e a coragem necessárias que só as mulheres têm, e heroicamente, aguentar aqueles momentos de sofrimento físico e luta.
Assim, envolto neste turbilhão de pensamentos e sentimentos, acabei por passar levemente pelo sono. Alta madrugada, porém, acordei sobressaltado, como que impelido por um sentimento estranho e simultaneamente agradável. Lá fora, a chuva e a força dos trovões, faziam-se sentir ainda com mais intensidade, aumentando a atmosfera de sonho e magia. Naquele momento, soube de uma forma clara e evidente, que a minha filha tinha nascido!
Manhã cedo e após receber a confirmação da boa nova, corri apressada e ansiosamente para o hospital, onde me esperava a alegria de ver e sentir pela primeira vez, o pequeno ser que esteve na origem de tudo. Disse-me mais tarde a minha esposa, que nesse dia, eu, atarantado e confuso, acabei por me apresentar no hospital, calçado com uma meia de cada cor! Vá lá que não foram os sapatos…
Estado Civil: Casado e com uma filha de 16 anos.
Umas verdadeiras “pestes” as duas mulheres da minha existência! Fazem-me a vida negra, dão-me muito trabalho e preocupações, enfim, um autêntico inferno na terra! É claro que estou a brincar… um bocadinho. Elas são a principal razão da minha presença, é por elas que luto e trabalho todos os dias, elas são, finalmente e mais importante ainda, a minha família.
Lembro-me perfeitamente do dia em que a minha filha nasceu. Estávamos em pleno inverno, decorria o mês de Novembro. Nessa noite fria e tremendamente chuvosa, os relâmpagos rasgavam continuamente, com estrondo e fúria, o céu coberto de negro, iluminando-o por breves instantes e acentuando sobremodo todos os receios e a ansiedade, que então se apoderavam de mim. Encontrava-me só, no meu quarto, a casa recentemente adquirida, estava em total silêncio, quebrado de quando em vez, pelo barulho estridente dos comboios que passavam pela estação ali perto. Tentava a todo o custo desviar-me desses sentimentos nefastos e adquirir a calma e tranquilidade que me permitissem, pelo menos, dormir um pouco.
A minha esposa tinha recolhido à maternidade nessa noite, as incertezas quanto à hora e à forma como as coisas iam acontecer eram muitas. Já sabíamos que o bebé em gestação era uma menina, os exames efectuados indicavam que estava tudo bem, mas na hora vera, não há pai que aguente! É verdade que isto não se compara em nada, com a situação que, imagino, a mãe estaria a passar naquelas circunstâncias, a força e a coragem necessárias que só as mulheres têm, e heroicamente, aguentar aqueles momentos de sofrimento físico e luta.
Assim, envolto neste turbilhão de pensamentos e sentimentos, acabei por passar levemente pelo sono. Alta madrugada, porém, acordei sobressaltado, como que impelido por um sentimento estranho e simultaneamente agradável. Lá fora, a chuva e a força dos trovões, faziam-se sentir ainda com mais intensidade, aumentando a atmosfera de sonho e magia. Naquele momento, soube de uma forma clara e evidente, que a minha filha tinha nascido!
Manhã cedo e após receber a confirmação da boa nova, corri apressada e ansiosamente para o hospital, onde me esperava a alegria de ver e sentir pela primeira vez, o pequeno ser que esteve na origem de tudo. Disse-me mais tarde a minha esposa, que nesse dia, eu, atarantado e confuso, acabei por me apresentar no hospital, calçado com uma meia de cada cor! Vá lá que não foram os sapatos…

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